08/06/2018

Policiais e bombeiros militares ocuparam Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte

Policiais e bombeiros militares ocuparam Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte

Policiais militares, bombeiros e agentes prisionais ocuparam o Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, na tarde da quarta-feira (6). Eles reivindicam reposição de perdas salariais, fim do escalonamento no pagamento dos servidores e depósito dos salários no 5º dia útil do mês.

De acordo com a Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), a categoria ficará acampada no local até um posicionamento do governo do estado.

O Palácio da Liberdade fica na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os manifestantes forçaram a entrada pelo portão principal. Os policiais militares que fazem a segurança no local tentaram conter as pessoas, mas acabaram permitindo a entrada delas.

De acordo com a Polícia Militar (PM), ninguém se feriu durante a ocupação.

Em nota, o governo disse que os manifestantes foram insuflados de forma irresponsável por um ex-policial a invadir o Palácio da Liberdade. Disse ainda que ação foi por oportunismo político e tenta desestabilizar a segurança, “que apresenta os melhores resultados dos últimos 7 anos”, em um momento ônibus são atacados em várias cidades do estado (leia ao fim da reportagem a nota do governo na íntegra).

A reportagem questionou se o governo tomará alguma providência com relação ao fato de os manifestantes permanecerem no jardim do Palácio, ao fato de eles estarem fechando a rua de frente e se o governador vai recebê-los. Nenhum desses três questionamentos foram respondidos na nota.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros enviaram nota conjunta onde classificam o ato da tarde desta terça-feira (6) como “meramente eleitoreiros e político-partidários, e que a forma como foi conduzido em nada acrescenta aos interesses da classe da segurança pública”. Disse ainda que o ato “prejudica e interrompe todo um processo de negociação que os comandos das corporações vinham estabelecendo junto ao governo do Estado”, além de causar impacto negativo junto à população (leia nota completa ao fim da matéria).

Escalonamento

Desde fevereiro de 2016, os servidores mineiros são pagos em até três parcelas. Quem ganha até R$ 3 mil recebe o salário em parcela única.

Já os servidores cujos salários vão até R$ 6 mil têm o pagamento dividido em duas vezes.

Quem ganha mais de R$ 6 mil recebe o salário em três parcelas.

Nota do governo

O governo estadual condena veementemente a irresponsabilidade do ex-policial, já protagonista de outros episódios vergonhosos, que insuflou nesta quarta-feira (6) uma claque a invadir o Palácio da Liberdade. Graças à ação e ao trabalho responsável da Polícia Militar, o cenário em Minas Gerais é de queda dos índices de criminalidade. A tentativa de desestabilizar a área de Segurança, que apresenta os melhores resultados dos últimos 7 anos, é ainda mais perigosa diante dos ataques criminosos a ônibus em 26 municípios mineiros. Trata-se de lamentável oportunismo político que ignora a crise herdada de gestões passadas e as limitações da LRF. Mesmo no cenário de crise, o governo honrou aumentos concedidos antes de 2015 e chegou a reajustar em 15% os salários dos policiais militares em abril daquele ano. O mesmo compromisso tem sido demonstrado com os pagamentos referentes a pensão e saúde no âmbito do IPSM.

Att,

Governo de Minas Gerais

Nota conjunta - PMMG E CBMMG

Inobstante à faculdade constitucional à livre manifestação, bem como à legítima luta por direitos, de qualquer classe profissional que seja, cumpre esclarecer a todos o seguinte:

1) Toda manifestação pública deve ser pacífica e ordeira, seguindo os ditames constitucionais, especialmente quando realizada por aqueles que tem como missão a manutenção da ordem pública;

2) Os manifestantes "fecharam" o trânsito e invadiram, forçadamente, o interior do Palácio da Liberdade, e mantendo-se em situação de acampamento naquele local;

3) Ressalta-se que o referido movimento, da maneira como está sendo conduzido pelas lideranças, prejudica e interrompe todo um processo de negociação que os comandos das corporações vinham estabelecendo junto ao governo do Estado, e que caminhava com perspectivas positivas para a solução das atuais demandas que afligem a todos militares estaduais;

4) Ao percorrermos os sites da imprensa e redes sociais, constatamos uma reação extremamente negativa da população em desfavor do movimento, colocando de maneira contundente a opinião pública contra os integrantes das instituições de segurança do estado;

5) Fica evidente que o movimento foi organizado por pessoas que possuem interesses meramente eleitoreiros e polítco-partidários, e que a forma como foi conduzido em nada acrescenta aos interesses da classe da segurança pública.

Solicitamos, pois, de todos policiais e bombeiros-militares muita reflexão, temperança, e responsabilidade para com a sua respectiva instituição, para com a sociedade e também para com suas famílias.

Reafirmamos que, apesar da situação desconfortável da nossa classe em relação ao escalonamento de salários, IPSM, e outros direitos em atraso, é inegável que o país e o Estado de MG vem passando por uma situação de grave crise financeira, e que, mesmo assim, muitas demandas levadas pelos comandos ao governo do estado (quitação dos salários na segunda escala, recebimento do décimo-terceiro salário, quitação integral da indenização de fardamento, retomada do pagamento das férias-prêmio, etc) foram atendidas, colocando as corporações militares com um tratamento diferenciado, minimizando os impactos dessa crise.

Por fim, ressaltamos que essa deferência no tratamento decorre do trabalho dedicado e eficiente de todos militares estaduais, sendo esta uma condição indispensável para a luta por melhorias da nossa classe, assim como para o reconhecimento e o respaldo da população mineira.

Fonte:  G1 MG, Belo Horizonte