15/04/2019

Bombeiros do DF que estiveram em Brumadinho passam por acompanhamento toxicológico

Bombeiros do DF que estiveram em Brumadinho passam por acompanhamento toxicológico

Os Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CMBDF) que participaram das operações de resgate das vítimas da tragédia de Brumadinho (MG), estão sendo monitorados pelo ambulatório do Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria de Saúde. O acompanhamento começou na quinta-feira (11).

Os exames são para verificar níveis de metais pesados no organismo e a possibilidade de contaminação provocada pelos rejeitos decorrentes do rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro.

A médica Andrea Amoras, responsável pelo monitoramento, diz que o acompanhamento vai durar dois anos.

 

"As avaliações serão feitas a cada seis meses, se tudo estiver normal, e em menor tempo, caso tenha alguma intercorrência.”,

Cuidar dos que cuidam

 

Os militares do DF dizem que ficaram preocupados quando foi detectada a contaminação por metais em alguns bombeiros de Minas Gerais. Em fevereiro, o governo de Minas anunciou que três profissionais tinham sido diagnosticados com excesso de alumínio no sangue.

Na primeira avaliação no DF, nenhum bombeiros apresentou problemas.

 

“Mas a aflição antes de pegar o resultado existe, mesmo sabendo que a exposição não trazia riscos para a gente naquele momento”, disse o capitão Ulisses, um dos responsáveis pela equipe do DF.

O sargento Felipe Gaspar lembrou que normalmente quem cuida das pessoas acaba não se cuidando. “Uma ação como esta é muito importante porque mostra que alguém está pensando em cuidar de quem cuida”, observa ele.

 

O militar, que está com irritação na garganta, fará exames de imagem para verificar se é por conta de um resfriado ou se existe alguma relação com a poeira tóxica de Brumadinho.

Acompanhamento psicológico

No começo de fevereiro, passados 10 dias do desastre, 18 bombeiros de Brasília desembarcaram em Minas Gerais para ajudar no trabalho de resgate. Eles ficaram 15 dias na região. Depois, outra equipe com cinco militares e dois cães retornou ao estado e ficou por mais 10 dias seguidos.

 

A sargento Fabiola Gomes Monteiro, que participou da missão, disse que a maneira de ver a vida mudou depois de Brumadinho.

 

“Em toda ocorrência, a gente muda um pouco, pois além do profissional, temos nosso lado humano. Mas Brumadinho me deixou claro que a vida pode acabar em um rápido momento. As cenas que vimos deixou isso claro, como a de uma criança que morreu com o uniforme da escola."

 

Desastre

Até esta quinta (11), 395 corpos foram localizados, 225 foram identificados e 68 ainda estão desaparecidos. As buscas continuam, com 130 bombeiros, nenhum do Distrito Federal.